quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Introdução

O assunto abordado nesta dissertação está inserido na temática que trata das relões de poder e da história da penalidade moderna, delimitado basicamente no 1livro de Michel Foucault intitulado Vigiar e Punir Nascimento da Prisão. A pesquisa tem a finalidade de explicar a preocupação central desta obra que é a maneira como a disciplina tornou- se uma das mais importantes formas de dominação do ser humano na época moderna, de modo particular, a maneira como determinou um tipo específico de poder que influenciou decisivamente a punição penal de detenção. Em outras palavras, trata-se de fazer um leitura descritiva do percurso da conexão da história do poder disciplinar e da história da transformação da penalidade clássica para a moderna, a prisão, mostrando que a legitimidade do poder de punir moderno ( o carcerário”) está assentada no tipo de exercício do poder disciplinar.
O  estudo  envolve  dois  tipos  de  poder.  primeiro  é  o  poder soberano, vigente na época clássica, representado na pessoa do monarca, e sua sobrevivência na época moderna como uma teoria da justiça soberana. Na época clássica, este poder determina tanto o código das leis quanto a ptica de punir; na época moderna, serve de suporte da legitimidade do discurso do sistema judiciário. O outro tipo é o poder disciplinar representado através dos seus mecanismos (técnicas e instrumentos) e teve como função a constituição e a dominação política, econômica e jurídica dos indivíduos.
Atreladas aos dois tipos de poder tem-se duas formas de punição: o

suplício,  ptica  penal  clássica  que  indica  o  funcionamento  do  poder


1  M. Surveiller et Punir. Naissance de la Prison. Paris, Gallimar, 1975. Tradução brasileira: Vigiar e
Punir Nascimento da Prisão. Trad. de Ligia M. Pondé Vassalo. Petrópolis: Vozes, 1991.  As referências


soberano e suas relões com a justiça daquela época; a penalidade de detenção, punição legal que funciona sob a responsabilidade da instituição prisão por onde é possível reconstituir a maneira pela a qual o poder disciplinar exerce sua forma pura de dominação e como também determina a função do novo poder de punir moderno. Da inserção do exercício disciplinar no sistema penal constitui-se um tipo particular de poder penitenciário: o poder disciplinar carcerário, que são abordados, respectivamente, nos dois itens deste capítulo.



O  capítulo  primeiro  deste  trabalho  trata  d aparecimento  do poder disciplinar. Ele é abordado em três itens o suplício como manifestação do poder soberano, a crítica dos reformadores e a sociedade disciplinar. Estes itens objetivam tratar do contexto do aparecimento do poder disciplinar, descrevendo a transição de duas formas de poder do poder soberano ao poder disciplinar – e analisando a reforma penal do século XVIII, marco do enfraquecimento do poder soberano e de constituição e aparecimento do poder disciplinar.



O funcionamento do poder disciplinar capítulo segundo – está organizado em dois itens: a analítica do poder e a microfísica do poder. O primeiro preocupa-se em levantar alguns aspectos teóricos e gerais da concepção de poder nas análises de Michel Foucault. O segundo trata do modo específico do exercício do poder disciplinar.


O  capítulo terceiro, referente aos  mecanismos disciplinares, e um estudo delimitativo do exercício das técnicas e dos instrumentos do poder disciplinar, cuja temática central são os modos de funcionamento do poder


a esta obra serão feitas, doravante, mediante o uso da abreviatura SP  para o original frans) de VP (


sobre os indivíduos e seus corpos. Para a demonstração do estudo dos mecanismos do poder disciplinar e do funcionamento de sue exercício, dividimos o capítulo em dois itens.
O primeiro item apresenta um estudo das técnicas disciplinares, cujo foco central é a demonstração do modo com o poder disciplinar utiliza e sujeita os corpos, transformando-os em objeto e efeito de poder e de saber. O segundo continua a análise anterior na direção de enfocar a objetivação do indivíduo, resultante do funcionamento dos instrumentos disciplinares. O poder produz corpos úteis, ceis e constitui indivíduos domesticados e submissos. Os mecanismos do poder disciplinar funcionam através de quatro   técnicas   de   docilização   d corp e   três   instrumento de adestramento do indivíduo, que são abordados, respectivamente, nos dois itens deste capítulo.



O  capítulo quarto é um estudo descritivo da estrutura funcional das instituições disciplinares e a exposição do funcionamento de uma instituição em particular, a  prisão. A idéia básica do capítulo é considerar o exercício do poder disciplinar enquanto um dispositivo de poder múltiplas correlões de forças que determinam com precisão a atuação da ação do exercício do poder na definição da função e do funcionamento das instituições disciplinares e sua influência política, econômica e jurídica no campo social.
Este capítulo está organizado em três itens, com a finalidade de mostrar a maneira como Foucault faz a história da conexão entre o sistema jurídico penal ainda sob a influência do poder soberano e do poder
disciplinar, no funcionamento do sistema carcerário.





para a tradução brasileira


No primeiro item é abordado o projeto arquitetural de Jeremy Bentham, o Panopticon”, que indica o modelo e o funcionamento do poder disciplinar nas instituições disciplinares, isto é, a maneira como funciona o exercício do poder disciplinar em qualquer instituição disciplinar. O segundo item mostra como a generalização do panoptismona sociedade e sua aplicação nas prisões estabelece, juntamente com o poder   jurídico   soberano,   a   função   da   penalidade   de   detenção   e aparecimento de um novo poder de punir o poder disciplinar carcerário. A  configuração  histórica  do  efeito  desse  poder  é  a  constituição  do individuo disciplinar, assunto do terceiro item. No caso específico do exercício do poder carcerário, a conseência mais evidente é o aparecimento do delinqüente – efeito e objeto do poder disciplinar.
Dessa história, é possível, talvez, entender melhor a estrutura geral da dinâmica do poder na sociedade moderna.

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